Notas técnicas
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Acesso por cordas, andaime ou plataforma: quando compensa cada um

Quando é preciso chegar a uma fachada, a uma chaminé ou a uma estrutura alta, a primeira ideia costuma ser o andaime. Às vezes é a certa. Outras vezes, o andaime é a parte maior, mais lenta e mais cara do trabalho. Explicamos como se decide, com as regras que existem e sem vender cordas para tudo.

Três formas de chegar lá acima

Para trabalho temporário em altura há, no essencial, três famílias de soluções:

  • Andaimes, montados à volta da zona de trabalho, que criam uma plataforma estável para várias pessoas e materiais.
  • Plataformas elevatórias, móveis, que levam o trabalhador até ao ponto a partir do chão.
  • Acesso por cordas, em que o técnico desce ou sobe suspenso, preso a duas cordas ancoradas na estrutura.

Nenhuma é melhor em todos os casos. A escolha depende do trabalho, da duração, do local e dos riscos.

O que diz a lei

A diretiva europeia sobre equipamentos de trabalho, hoje na Diretiva 2009/104/CE e transposta em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 50/2005, dá prioridade às medidas de proteção coletiva sobre as individuais e pede que se escolha o equipamento mais adequado para garantir condições de trabalho seguras. As técnicas de acesso e de posicionamento por cordas são admitidas quando a avaliação de risco mostra que o trabalho pode ser feito em segurança e que não se justifica outro equipamento mais seguro.

A mesma diretiva fixa condições para o acesso por cordas:

  • pelo menos duas cordas ancoradas separadamente, uma de trabalho e outra de segurança;
  • arnês adequado, ligado à corda de segurança;
  • meios seguros de subida e descida na corda de trabalho e um dispositivo anti-queda móvel na corda de segurança;
  • ferramentas presas ao arnês ou à cadeira do trabalhador;
  • trabalho planeado e supervisionado, de forma a que o trabalhador possa ser socorrido de imediato em caso de emergência;
  • formação adequada e específica, incluindo procedimentos de salvamento.

Ou seja: o acesso por cordas não é um atalho. É um sistema com regras próprias, e o resgate faz parte dele desde o início.

ISO 22846 e IRATA

A norma internacional ISO 22846-1 estabelece os princípios fundamentais do acesso por cordas em edifícios, estruturas e formações naturais, quando as cordas são o meio principal de acesso, de suporte e de proteção contra quedas. A parte 2 da norma é um código de prática.

A IRATA International, associação do setor, publica o seu Código Internacional de Prática (ICOP), em quatro partes: princípios e controlos, orientações detalhadas, anexos sobre práticas associadas e legislação nacional relevante. Gere também um esquema de formação, avaliação e certificação de técnicos em três níveis, em que o nível mais alto tem competências de supervisão. A própria IRATA descreve o acesso por cordas como um sistema completo, em que planeamento, gestão, competência e equipamento adequado pesam o mesmo.

Quando as cordas compensam

Pela nossa experiência, o acesso por cordas ganha quando:

  • a intervenção é localizada: reparar umas juntas, fixar um revestimento, inspecionar uma chaminé. O andaime teria de cobrir a fachada toda para trabalhar em poucos metros quadrados;
  • o acesso é difícil: pás eólicas, interior de silos, zonas por baixo de pontes, taludes, coberturas com claraboias ou estruturas por cima de equipamentos que não podem ser tocados;
  • o local tem de continuar a funcionar: uma rua estreita, a entrada de um prédio, uma fábrica em laboração. Com cordas, o que fica no chão é pouco e por pouco tempo;
  • é preciso ver de perto: numa inspeção, o técnico fica a um braço da superfície e pode fotografar, medir e marcar no mesmo acesso;
  • o trabalho é curto ou repete-se: inspeções periódicas, limpezas, pequenas reparações. Montar e desmontar uma estrutura a cada visita pesa mais do que o próprio trabalho.

Quando não compensam

Também dizemos quando é melhor outra solução:

  • reabilitações completas de fachada, com muitas equipas e especialidades a trabalhar ao mesmo tempo durante meses;
  • trabalhos com materiais pesados ou volumosos que têm de ficar junto ao trabalhador;
  • tarefas que pedem uma plataforma estável e larga durante muito tempo, ou equipamento que não se pode suspender com segurança;
  • zonas facilmente acessíveis por plataforma, com chão firme e espaço livre, onde a plataforma resolve sem montagem.

Muitas vezes, a resposta certa é uma combinação: andaime ou plataforma onde fazem sentido, cordas nos pontos onde não chegam.

Como comparar propostas

Ao comparar uma proposta com cordas e outra com andaime, olhe para o custo total e não só para o preço da mão de obra:

  • montagem, aluguer e desmontagem do andaime ou da plataforma;
  • licenças de ocupação da via pública e o tempo durante o qual a via fica ocupada;
  • impacto em quem usa o edifício ou a instalação: entradas, estacionamento, produção parada;
  • tempo total até o trabalho estar terminado.

E pergunte sempre, a qualquer empresa, como está previsto o resgate e quem supervisiona no local.

Como trabalhamos

Antes de propor cordas, vemos o local ou as fotografias e os desenhos. Se o trabalho se faz melhor de outra forma, dizemos-lhe. Se se faz por cordas, preparamos o plano de trabalho, a avaliação de risco e o plano de resgate antes de subir, de acordo com as qualificações exigidas para cada intervenção.

Tem um trabalho nesta área?

Envie-nos a localização, uma descrição e fotografias. Respondemos com o que é preciso para avançar.

Fontes